Dentre os setores que mais precisaram se adequar ao chamado “novo normal” – que não é mais tão novo assim -, a saúde, com certeza, é o principal deles. Os processos de inovação digital estão cada vez mais acelerados. A telemedicina, por exemplo, não surgiu em 2020, mas com certeza teve um papel fundamental no controle e disseminação da pandemia em todo o mundo, recebendo a devida atenção dos gestores públicos. As medidas de isolamento social foram um catalisador para a modalidade. Com isso, o teleatendimento se tornou uma ferramenta necessária, por vezes a única opção de algumas pessoas para seguir com o acompanhamento médico, principalmente para o tratamento de outras doenças não relacionadas a Covid-19. 

No Brasil, a modalidade só era permitida em casos específicos e sempre com a presença de um médico junto ao paciente, estando o especialista atendendo de forma remota. Mas, com o agravamento da crise sanitária, as autoridades entenderam que era necessário discutir novas alternativas e normas para o exercício da atividade. A telemedicina foi regulamentada em caráter excepcional e temporário.

A pandemia e o isolamento social acabaram por acelerar nosso processo de adaptação a esses novos meios de buscar ajuda. A possibilidade de um atendimento à distância tornou-se real e segura. Em dezembro de 2020, a Capterra, empresa de busca e comparação de softwares, realizou uma pesquisa sobre a adoção das consultas à distância no Brasil. Os dados do estudo mostraram que 55% dos entrevistados já haviam feito algum teleatendimento médico e 46% afirmaram que essa se tornou a preferência de modalidade mesmo após o fim da pandemia. 

É claro que, durante o atendimento remoto, cabe ao médico avaliar se existe necessidade de atendimento presencial, com exames físicos e outras condutas importantes. Porém, boa parte de alguns problemas, principalmente em meio a uma pandemia, é solucionável sem a presença física. O Conselho Federal de Medicina entende a necessidade de uma regulamentação definitiva para a modalidade. Nas próximas semanas, o conselho deve se reunir para iniciar os debates sobre o tema. As regras atuais estão valendo enquanto vigorar a pandemia.

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